Artigo que escrevi para uma das atividades da pós que estou cursando no Senac em Artes Visuais: Cultura e Criação.
Arte, Cultura e Criação…
Ou, ainda me arrisco em dizer…
CULTURA, Arte e Criação.
Faço isso não pela importância de um termo sobre o outro ou pelo surgimento antecipado de um sobre o outro, de forma alguma. Sugiro essa ordem apenas pelo fato de, ao meu ver, a Cultura se tratar de um campo de estudo com tal abrangência fenomenal capaz de abordar a vasta gama de conhecimentos, experiências, vivências e aprendizados responsáveis pelo combustível no processo criativo e na produção nas artes.
No final do século XVIII, o antropólogo inglês Edward Tylor (1832 - 1917) conseguiu sintetizar dois termos que seriam os mais apropriados naquela época para definir Cultura. O primeiro seria a palavra Kultur, do alemão, caracterizando todas as questões espirituais de uma sociedade, e o segundo o termo francês Civilization, definindo todas as conquistas materiais de um determinado povo. O novo termo definido por Tylor seria o Culture, que, “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.
Arte. Linguagem na qual o ser humano, alimentado de sua cultura e disposição para a expressão do novo, consegue gerar novas ideias que possuem o poder de causar algum sentimento no observador do objeto de arte. Sentimento esse que não necessariamente será bom ou agradável, mas definitivamente irá tirá-lo do seu local comum, abrindo portas para novas reflexões, novas percepções e até mesmo novas relações com esse mesmo ambiente comum no qual está inserido, devolvendo à Cultura um novo saber, um novo modo de ser e de pensar sobre a realidade.
Criação. O ato de criar, de gerar, de experimentar e de transformar. Transformar o mundo conhecido em uma nova combinação de ideias, até então não pensada. A criação é capaz de tornar físico a expressão artística, as inquietações e reflexões do artista.
O processo criativo é o meio por onde a Arte, para se tornar Arte, se alimenta da Cultura para gerar novos saberes e experiências, devolvendo esses saberes novamente para o meio cultural ao passo que, o observador do objeto de arte tendo capacidade de analisá-la, absorvê-la e digerí-la, consegue gerar novas reflexões e relações de sua personalidade com a própria Cultura na qual está inserido. Um desenvolvimento em formato espiral que é capaz de fornecer conteúdo ao mesmo tempo em que recebe novas incorporações, características de um processo dinâmico e infinito.
Muitos assuntos e questões foram abordados no Fórum Introdução. Produção de conhecimento, manifestação de conceitos, verbalização de reflexões e até mesmo de inquietações se deram constantes o tempo todo. Essas manifestações foram gerando em mim, ao passo em que eu avançava nas leituras, novos questionamentos e novas relações que possibilitaram o surgimento de um novo jeito de pensar sobre o assunto e o seu fazer, o fazer cultural e artístico. Percebi que o processo entre a geração de conteúdo dos meus colegas e a minha percepção, reflexão e geração de novas concepções, transformaram minha personalidade de alguma forma. Então fiquei pensando: “Não poderia esse momento também ser considerado uma forma de expressão artística?”
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